Alguns alunos sugeriram que disponibilizasse orientação de estudo para o teste.
Aqui se encontram:
terça-feira, 5 de maio de 2009
Para rever Os Maias
quarta-feira, 29 de abril de 2009
Os Maias, conclusão: Capítulos XIII a XVIII
Capítulo XIII
- Carlos leva Maria Eduarda à «Toca», a casa dos Olivais;
- descrição da decoração do quarto;
- ruptura de Carlos com a Condessa de Gouvarinho.
Comentário:
Capítulo XIV
Comentário:
Capítulo XV
- Maria Eduarda conta a Carlos a sua infância e juventude e, perante a revelação de um passado tão amargo, Carlos decide casar com ela;
- um jornal, a “Corneta do Diabo”, publica um artigo anónimo onde Carlos é ultrajado numa linguagem quase obscena;
- Ega suborna o director do jornal, Palma Cavalão, que lhe revela que o autor do artigo foi o Dâmaso;
- Ega obriga-o a escrever uma carta onde ele se confessa um alcoólico inveterado, vítima de um vício hereditário; deste modo, Ega aproveita também para se vingar do facto de Dâmaso lhe ter “roubado” a Raquel Cohen.
Comentário:
- analepse: recuo ao passado de Maria Eduarda;
- crítica ao “jornalismo” de pasquim e a quem se deixa subornar para publicar seja o que for;
- crítica à cobardia de Dâmaso;
- influência do Realismo/Naturalismo, quando se refere à hereditariedade (o suposto alcoolismo de Dâmaso).
Capítulo XVI
- episódio do Sarau do Trindade, onde, mais uma vez, desfilam as várias personagens-tipo;
- o Sr. Guimarães chega de Paris e revela a Ega que Maria Eduarda e Carlos são irmãos, o que pode comprovar com os documentos que guarda num cofre.
Comentário:
- Crítica social: todos discutem desordenadamente e todos se querem mostrar, mas a ignorância e o provincianismo vêm ao de cima, quando uma das senhoras nem sequer sabe quem foi Beethoven e fala da “Sonata Pateta”(Patética).
- Este é um dos capítulos mais importantes da intriga, porque nele se encontra o momento da agnórise, o reconhecimento (influência da tragédia grega) e que já se fizera “anunciar” por vários presságios ao longo da narrativa.
- O tema é o incesto, a relação tabu e proibida entre dois irmãos, vítimas de circunstâncias que desconheciam, vítimas inocentes dos actos dos progenitores (neste caso, a mãe, Maria Monforte).
- Os dois níveis da acção aqui “cruzam-se”, porque o incesto é motivado por causas que são também alvo da crítica social nos romances Realistas/Naturalistas: o comportamento adúltero das mulheres, a influência negativa do Romantismo.
Capítulo XVII
- é revelada a Carlos a verdade;
- Carlos, por sua vez, conta também ao avô;
- vai a casa de Maria e dorme com ela, mesmo já sabendo que é sua irmã;
- Afonso morre;
- os irmãos, inevitavelmente separam-se e partem para o estrangeiro.
Comentário:
- É o momento da katastrophé( catástrofe), quando as consequências terríveis se abatem: Afonso, aquele que resistira a tantos desgostos de família, sucumbe.
- É ele, verdadeiramente, a vítima inocente.
- Morre a personagem que se mantivera, ao longo de toda a vida (e narrativa), coerente, genuína, verdadeiramente “civilizado”.
Capítulo XVIII
- Carlos regressa a Lisboa, após uma ausência de dez anos e passeia com Ega pela capital;
- esse passeio revela que tudo permanece na mesma, principalmente as pessoas: ociosas, “moços tristes”, “mocidade pálida”(p 702);
- voltam ao Ramalhete, agora abandonado, e embora reste uma sensação de falhanço, não há qualquer sentimento de remorso em Carlos.
Comentário:
- tempo cronológico: elipse e prolepse( omissão de acontecimentos e consequente avanço no tempo, 10 anos);
- tempo psicológico: “Só vivi dois anos nesta casa, e é nela que me parece estar metida a minha vida inteira!” (p 714);
- espaço físico: Lisboa e os vários locais por onde vão passeando: o Loreto, o Chiado, Rua Nova do Almada, a Avenida, o Ramalhete;
- espaço social: as pessoas que “povoam” esses espaços: “vadios, de sobrecasaca, politicando..”(p 697); “Uma gente feiíssima, encardida, molenga, reles, amarelada, acabrunhada!...” (p 697);
- espaço psicológico: o Ramalhete abandonado: “ Em baixo, o jardim[…] tinha a melancolia de um retiro esquecido, que já ninguém ama[…]”.(p 710);
- as personagens reconhecem o falhanço: “- Falhámos a vida, menino!”(p 713). E, de acordo com o Realismo/Naturalismo, isso deve-se à ociosidade, ao tédio, à degradação moral, ao Romantismo, à religião, à educação. E ambos, Ega e Carlos, o “escritor” e o médico falhados, correm apenas para o que sempre tinham “corrido” na vida: para chegarem a tempo do jantar, isto é, a satisfação das suas necessidades primárias e básicas. Porque nunca tinham lutado “- Nem para o amor, nem para a glória, nem para o dinheiro, nem para o poder…”(p 716).
terça-feira, 28 de abril de 2009
Os Maias: Capítulos VII a XII
VII Capítulo
• Dâmaso Salcede, personagem tipo, que representa o novo-rico, consegue apresentar-se a Carlos, mas também tornar-se indesejável, devido ao seu comportamento exibicionista;
• a Condessa de Gouvarinho visita Carlos no consultório;
• informações dos amigos a Carlos sobre a misteriosa mulher que tanto o impressionara.
Comentário:
• Capítulo que remete, sobretudo, para a crítica social.
VIII Capítulo
• Carlos e Cruges vão a Sintra à procura da “Mulher”;
• encontram Eusèbiozinho, já viúvo, com um amigo e duas prostitutas espanholas;
• Carlos tem notícias dessa mulher, casada, e de quem o Dâmaso já se tornara muito amigo.
Comentário:
• crítica ao comportamento previsível de Eusèbiozinho: a educação religiosa, “beata”, desencadeia atitudes de hipocrisia e de degradação moral.
IX Capítulo
• alguns pormenores que se integram no domínio da crítica social, sobretudo o comportamento das mulheres.
Comentário:
• mais uma vez, a crítica às mulheres da alta burguesia lisboeta.
X Capítulo
• destaca-se o episódio da corrida de cavalos e a atitude dos portugueses que frequentam esse tipo de evento social;
• tal como no jantar do Hotel Central, tudo termina com uma desordem pouco adequada à situação.
Comentário:
• crítica ao modo como as pessoas se apresentavam, sobretudo as mulheres, com “vestidos de missa”(p 316), uma vez que não estavam habituadas a este género de evento, tipicamente inglês: “um canteirinho de camélias meladas”(p 317);
• Afonso da Maia, na sua posição distanciada, já comentara que “o verdadeiro patriotismo[...] seria, em lugar de corridas, fazer uma boa tourada.”(p 308);
• crítica aos portugueses que têm o hábito de imitar o que era estrangeiro, mas, como não era genuíno, “desmanchando a linha postiça de civilização e a atitude forçada de decoro…” (p 325);
• caracterização do espaço social.
Capítulo XI
• Carlos, pela primeira vez, fala com "a tal" mulher, Maria Eduarda, passa a visitá-la com assiduidade e trocam confidências;
• percebe que Dâmaso, supostamente, como já lhe tinham dito, se tinha tornado, também, íntimo da casa.
Comentário:
• a semelhança dos nomes, Carlos Eduardo e Maria Eduarda: “Quem sabe se não pressagiava a concordância dos seus destinos!” (p 346);
• Maria repudia Dâmaso, o que explica comportamentos posteriores.
Capítulo XII
• Carlos e Maria Eduarda tornam-se amantes;
• Carlos aluga a Craft a casa dos Olivais, "A Toca", onde poderão viver, discretamente, a sua paixão.
Comentário:
• momento da intriga em que as personagens desafiam o Destino, hybris, ignorando, como nas tragédias, quem são e as consequências futuras.
(Notas: sublinhados meus nas citações; a paginação remete para a Edição de Os Livros do Brasil.)
.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Os Maias, Capítulo VI

VI Capítulo
- jantar de homenagem a Cohen (o banqueiro judeu) no Hotel Central;
- Carlos cruza-se com uma bela desconhecida quando entra no Hotel;
- nesse jantar revelam-se outras personagens “tipo”: Alencar, poeta Ultra-Romântico, que tinha sido amigo dos pais de Carlos; o Craft, um inglês que há muito vivia em Portugal; Dâmaso Salcede, o novo-rico;
- o jantar termina com uma briga;
- já em casa, Carlos recorda o passado, como ficara a conhecer a história da mãe e do pai e adormece, evocando a visão da mulher que tanto o tinha impressionado. ......
.................................................................................................................................... Hotel Central
Comentário:
Este é um dos Capítulos mais importantes, porque nele se cruzam os dois níveis da obra: o da intriga e o da crónica de costumes.
A intriga:
- presságios: Ega, em conversa com Carlos (antes do jantar) diz-lhe que ele há-de vir a “acabar desgraçadamente[…] numa tragédia infernal”( p 152);
- a mulher com quem Carlos se cruza é como uma “deusa” envolta em mistério (p 157);
- no final do Capítulo, o sonho de Carlos, após ter recordado o seu passado familiar, remete para esta mulher, sonho premonitório.
A crónica de costumes:
- o comportamento e a linguagem pouco adequados da alta burguesia lisboeta que quer parecer muito civilizada e cosmopolita;
- a oposição entre o Ultra-Romantismo retrógrado(Alencar) e o Realismo/Naturalismo(Ega), ambos exagerados.
- espaço social: o Hotel Central, onde desfila esta galeria de tipos sociais.
( A foto foi enviada pelo João Vale do site: http://www.notapositiva.com/trab_estudantes/trab_estudantes/portugues/portugues_trabalhos/osmaiasjantarhotelcentral.htm)
domingo, 26 de abril de 2009
Fomos ao teatro...

...no último dia de representação de Os Maias, no Teatro da Trindade.
(O meu agradecimento ao professor Joaquim Melro, que nos acompanhou.)
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Recomeçando: Os Maias, Capítulos II a V

II Capítulo
- casamento de Pedro e Maria Monforte (“felicidade de novela”);
- os dois filhos, Maria Eduarda e Carlos Eduardo;
- fuga de Maria com o príncipe italiano, levando consigo a filha;
- Pedro fica com o filho, regressa a casa do pai e suicida-se.
Comentário:
- a crítica ao comportamento das mulheres: Maria foge, devido à leitura de romances românticos, que deturpavam a visão que as mulheres tinham da realidade;
- até o nome do filho, Carlos Eduardo, tinha sido escolhido por ser o de um herói de um romance, com uma vida de "aventuras e desgraças" (presságio);
- Pedro suicida-se, como era de esperar, devido ao seu temperamento neurótico (hereditariedade) e educação tradicional, “beata”.
- Afonso retira-se para Santa Olávia com o neto e, aí, tem a preocupação de lhe dar uma educação à inglesa: ar livre, ginástica, inglês (“mente sã em corpo são”);
- em oposição, a educação de Eusèbiozinho, tradicionalmente portuguesa e “beata”.
- a oposição entre os dois tipos de educação revela, mais uma vez, a crítica à educação tradicionalmente portuguesa.
IV Capítulo
- Carlos vai estudar para Coimbra, forma-se em Medicina;
- torna-se amigo de João da Ega, o "escritor", personagem que representa o Realismo/Naturalismo;
- quando acaba o curso, viaja pela Europa e o avô já o esperava em Lisboa, no Ramalhete;
o consultório é mobilado luxuosamente; - Ega prepara o seu grande livro, Memórias de Um Átomo.
- termina a analepse que se iniciara no I Capítulo e o tempo cronológico volta a ser 1875.
- alguns pormenores são já significativos em termos de crítica e de caracterização da personagem: o luxo excessivo do consultório de Carlos não se coaduna com o exercício da Medicina;
- Ega começa a escrever o livro de que se falava desde os seus tempos de estudante (será que alguma vez vai terminar essa “Bíblia”?).
- O Ramalhete e a vida social da família Maia e da alta burguesia de Lisboa: espaço social;
- apresentação de várias personagens “tipo”: o Cruges, pianista falhado; Steinbroken, o embaixador finlandês; a Raquel Cohen, amante do Ega; a Condessa de Gouvarinho que Ega “recomenda” a Carlos.
- a crítica social torna-se mais corrosiva, em particular, no que diz respeito ao comportamento das mulheres (o adultério);
- as causas são: a leitura de romances românticos, a ociosidade e consequente tédio.
Imagem retirada do blogue: http://themaias.wordpress.com/category/figurino/page/2/,
por indicação do aluno João Vale.
quinta-feira, 26 de março de 2009
Quase de Férias...

A todos, votos de umas boas Férias, merecidas!
O "postal ilustrado" é o Teatro da Trindade, onde iremos, dia 26 de Abril, assistir à representação de Os Maias.
Observem bem para depois "anotarem" as diferenças!
segunda-feira, 9 de março de 2009
Os Maias: I Capítulo
No final deste 2º Período, faremos um teste com um excerto do I Capítulo de Os Maias, cujos tópicos mais importantes organizei no ano anterior e que volto a publicar, porque se mantêm actuais.
Espaços: Santa Olávia (espaço rural), Lisboa (espaço urbano).
Tempos:
- Presente: Outubro de 1875;
- Passado: analepse (recuo no tempo) à juventude de Afonso da Maia. Casamento com Maria Eduarda Runa, nascimento do filho, o Pedrinho, ida para Inglaterra; regresso a Portugal, morte da mulher e juventude de Pedro até ao seu casamento, contra a vontade do pai, com Maria Monforte.
Temática importante:
- A crítica à educação tradicional/religiosa ("beata"), que contribui para deformar a personalidade dos indivíduos (ex: Pedro da Maia);
- Os excessos, de todo o género, que esse tipo de educação e uma sociedade romântica fomentam (Pedro da Maia);
- O pragmatismo “inglês” de Afonso da Maia, no que diz respeito à educação e à religião; oposição Afonso/Pedro: força/fraqueza;
- A ascensão social dos novos-ricos: Maria Monforte e o pai, muitas vezes, através de meios pouco sérios (tráfico de negros);
- A caracterização de Pedro da Maia, cuja personalidade se deve aos factores, antes referidos e a que se acrescenta o factor hereditariedade (influência do Naturalismo);
- O aparecimento de presságios, desde o início:
-A família tinha poucos elementos( só avô e neto);
-O Ramalhete sempre tinha sido “fatal” à família Maia;
-Pedro era parecido com um bisavô materno que se tinha suicidado;
-Maria Monforte era de uma beleza clássica, magnífica, comparada à das estátuas gregas;
-A sombrinha escarlate de Maria “derramava” como que uma mancha de sangue sobre Pedro.
Linguagem e recursos estilísticos:
- A adjectivação com a intenção de descrever pormenorizadamente (característica do Realismo): [Pedro era] “mudo, murcho, amarelo…”(Capt I, p 20);
- A ironia para acentuar a crítica social, nomeadamente, o uso dos diminutivos: [Pedro] “ aos dezanove anos teve o seu bastardozinho.”(Capt I, p 20);
- O advérbio de modo com uma função adjectivante: [Afonso] “esteve olhando abstraidamente a quinta…” (Capt I, p 31);
- A sinestesia ( sugere sensações várias): “ Os passos do escudeiro não faziam ruído no tapete fofo; o lume estalava alegremente, pondo retoques de oiro nas pratas polidas;” (audição, tacto, audição, visão)-(Capt I, p 31);
- A comparação: “…e a sua face [de Maria Monforte], grave e pura como um mármore grego…” (Capt I, p 29);
- A metáfora: [Maria Monforte]"... arrastando com um passo de deusa a sua cauda de corte…" (Capt I, p 23).
Nota: A paginação remete para a obra na sua edição de Os Livros do Brasil.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Os Maias, «com pompa e circunstância»! (centésima mensagem)
Os Maias
De uma série brasileira, adaptação de Os Maias, com música dos MadreDeus, voz de Teresa Salgueiro.
domingo, 4 de maio de 2008
Concluindo: Os Maias, Capítulos XIII a XVIII
Capítulo XIII
- Carlos leva Maria Eduarda à Toca, a casa dos Olivais;
- descrição da decoração do quarto;
- ruptura de Carlos com a Condessa de Gouvarinho.
Comentário: - alguns pormenores da decoração do espaço são presságios: “[…]os amores de Vénus e Marte[…]” (p 433); “[…] o leito de dossel[…] como erguido para as voluptuosidades grandiosas de uma paixão trágica[…]” (p 434); “[…] uma cabeça degolada, lívida, gelada no seu sangue, dentro de um prato de cobre.” (p 434); “[…] uma enorme coruja empalhada[…]” (p 434);
- o espaço físico é, assim, transformado em espaço psicológico: “Mas Maria Eduarda não gostou destes amarelos excessivos.[…] achava impossível ter ali sonhos suaves.” (p 434).
Capítulo XIV
- Maria Eduarda vai ao Ramalhete;
- Castro Gomes, seu suposto marido, vai ter com Carlos, mostrando-lhe uma carta anónima, mas avisando-o de que não são casados.
Comentário: - aparece mais um presságio: Maria Eduarda, quando vê o retrato do pai do Carlos, comenta que o acha parecido com sua mãe.
Capítulo XV
- Maria Eduarda conta a Carlos a sua infância e juventude e, perante a revelação de um passado tão amargo, Carlos decide casar com ela;
- um jornal, a “Corneta do Diabo”, publica um artigo anónimo onde Carlos é ultrajado numa linguagem quase obscena;
- Ega suborna o director do jornal, Palma Cavalão, que lhe revela que o autor do artigo foi o Dâmaso;
- Ega obriga-o a escrever uma carta onde ele se confessa um alcoólico inveterado, vítima de um vício hereditário; deste modo, Ega aproveita também para se vingar do facto de Dâmaso lhe ter “roubado” a Raquel Cohen.
Comentário: - analepse: recuo ao passado de Maria Eduarda;
- crítica ao “jornalismo” de pasquim e a quem se deixa subornar para publicarseja o que for;
- crítica à cobardia de Dâmaso;
- influência do Realismo/Naturalismo, quando se refere à hereditariedade (o suposto alcoolismo de Dâmaso).
Capítulo XVI
- episódio do Sarau do Trindade, onde, mais uma vez, desfilam as várias personagens-tipo;
- o Sr. Guimarães chega de Paris e revela a Ega que Maria Eduarda e Carlos são irmãos, o que pode comprovar com os documentos que guarda num cofre.
Comentário: - Crítica social: todos discutem desordenadamente e todos se querem mostrar, mas a ignorância, o provincianismo vêm ao de cima, quando uma das senhoras nem sequer sabe quem foi Beethoven e fala da “Sonata Pateta”(Patética).
- Este é um dos capítulos mais importantes da intriga, porque nele se encontra o momento da agnórise, o reconhecimento (influência da tragédia grega) e que já se fizera “anunciar” por vários presságios ao longo da narrativa.
- O tema é o incesto, a relação tabu e proibida entre dois irmãos, vítimas de circunstâncias que desconheciam, vítimas inocentes dos actos dos progenitores (neste caso, a mãe, Maria Monforte).
- Os dois níveis da acção aqui “cruzam-se”, porque o incesto é motivado por outras causas que são também alvo da crítica social nos romances Realistas/Naturalistas: o comportamento adúltero das mulheres, a influência negativa do Romantismo.
Capítulo XVII
- é revelada a Carlos a verdade;
- Carlos, por sua vez, conta também ao avô;
- vai a casa de Maria e dorme com ela, mesmo já sabendo que é sua irmã;
- Afonso morre;
- os irmãos, inevitavelmente separam-se e partem para o estrangeiro.
Comentário: - É o momento da katastrophé( catástrofe), quando as consequências terríveis se abatem: Afonso, aquele que resistira a tantos desgostos de família, sucumbe. É ele, verdadeiramente, a vítima inocente. Morre a personagem que se mantivera, ao longo de toda a vida (e narrativa), coerente, genuína, verdadeiramente “civilizado”.
Capítulo XVIII
- Carlos regressa a Lisboa, após uma ausência de 10 (dez) anos e passeia com Ega pela capital;
- esse passeio revela que tudo permanece na mesma, principalmente as pessoas: ociosas, “moços tristes”, “mocidade pálida”(p 702);
- voltam ao Ramalhete, agora abandonado, e embora reste uma sensação de falhanço, não há qualquer sentimento de remorso em Carlos.
Comentário: - tempo cronológico: elipse e prolepse( omissão de acontecimentos e consequente avanço no tempo, 10 anos);
- tempo psicológico: “Só vivi dois anos nesta casa, e é nela que me parece estar metida a minha vida inteira!” (p 714);
- espaço físico: Lisboa e os vários locais por onde vão passeando: o Loreto, o Chiado, Rua Nova do Almada, a Avenida, o Ramalhete;
- espaço social: as pessoas que “povoam” esses espaços: “vadios, de sobrecasaca, politicando..”(p 697); “Uma gente feiíssima, encardida, molenga, reles, amarelada, acabrunhada!...” (p 697);
- espaço psicológico: o Ramalhete abandonado: “ Em baixo, o jardim[…] tinha a melancolia de um retiro esquecido, que já ninguém ama[…]”.(p 710)
- as personagens reconhecem o falhanço: “- Falhámos a vida, menino!”(p 713). E, de acordo com o Realismo/Naturalismo, isso deve-se à ociosidade, ao tédio, à degradação moral, ao Romantismo, à religião, à educação. E ambos, Ega e Carlos, o “escritor” e o médico falhados, correm apenas para o que sempre tinham “corrido” na vida: para chegarem a tempo do jantar, isto é, a satisfação das suas necessidades primárias e básicas. Porque nunca tinham lutado “- Nem para o amor, nem para a glória, nem para o dinheiro, nem para o poder…”(p 716).
sexta-feira, 2 de maio de 2008
Continuando a "leitura" de Os Maias: Capítulos VII a XII
- Dâmaso Salcede, personagem tipo, que representa o novo-rico, consegue apresentar-se a Carlos, mas também tornar-se indesejável, devido ao seu comportamento exibicionista;
- a Condessa de Gouvarinho visita Carlos no consultório;
- informações dos amigos a Carlos sobre a misteriosa mulher que tanto o impressionara.
Comentário: - Capítulo que remete, sobretudo, para a crítica social.
VIII Capítulo
- Carlos e Cruges vão a Sintra à procura da “Mulher”;
- encontram Eusèbiozinho, já viúvo, com um amigo e duas prostitutas espanholas.
- Carlos tem notícias dessa mulher, casada, e de quem o Dâmaso já se tornara muito amigo.
Comentário: - crítica ao comportamento previsível de Eusèbiozinho: a educação religiosa, “beata”, desencadeia atitudes de hipocrisia e de degradação moral.
IX Capítulo
- alguns pormenores que se integram no domínio da crítica social, sobretudo o comportamento das mulheres.
Comentário: - mais uma vez, a crítica às mulheres da alta burguesia lisboeta.
X Capítulo
- destaca-se o episódio da corrida de cavalos e a atitude dos portugueses que frequentam esse tipo de evento social;
- tal como no jantar do Hotel Central, tudo termina com uma desordem pouco adequada à situação.
Comentário: - crítica ao modo como as pessoas se apresentavam, sobretudo as mulheres, com “vestidos de missa”(p 316), uma vez que não estavam habituadas a este género de evento, tipicamente inglês: “um canteirinho de camélias meladas”(p 317);
- Afonso da Maia, na sua posição distanciada, já comentara que “o verdadeiro patriotismo[...] seria, em lugar de corridas, fazer uma boa tourada.”(p 308);
- crítica aos portugueses que têm o hábito de imitar o que era estrangeiro, mas como não era genuíno, “desmanchando a linha postiça de civilização e a atitude forçada de decoro…” (p 325);
- caracterização do espaço social.
Capítulo XI
- Carlos, pela primeira vez, fala com "a tal" mulher, Maria Eduarda, passa a visitá-la com assiduidade e trocam confidências;
- percebe que Dâmaso, supostamente, como já lhe tinham dito, se tinha tornado, também, íntimo da casa.
Comentário: - a semelhança dos nomes, Carlos Eduardo e Maria Eduarda: “Quem sabe se não pressagiava a concordância dos seus destinos!” (p 346);
- Maria repudia Dâmaso, o que explica comportamentos posteriores.
Capítulo XII
- Carlos e Maria Eduarda tornam-se amantes;
- Carlos aluga a Craft a casa dos Olivais, onde poderão viver, discretamente, a sua paixão.
Comentário: - momento da intriga em que as personagens desafiam o Destino, hybris, ignorando, como nas tragédias, quem são e as consequências futuras.
(Notas: sublinhados meus nas citações; a paginação remete para a Edição de Os Livros do Brasil.)
sábado, 26 de abril de 2008
De volta ao trabalho... Os Maias, Capítulos I a VI
II Capítulo
- casamento de Pedro e Maria Monforte (“felicidade de novela”);
- os dois filhos, Maria Eduarda e Carlos Eduardo;
- fuga de Maria com o príncipe italiano, levando consigo a filha;
- Pedro fica com o filho, regressa a casa do pai e suicida-se.
Comentário: - a crítica ao comportamento das mulheres: Maria foge, devido à leitura de romances românticos, que deturpavam a visão que as mulheres tinham da realidade;
- até o nome do filho, Carlos Eduardo, tinha sido escolhido por ser o de um herói de um romance, com uma vida de "aventuras e desgraças" (presságio);
- Pedro suicida-se, como era de esperar, devido ao seu temperamento neurótico (hereditariedade) e educação tradicional, “beata”.
III Capítulo
- Afonso retira-se para Santa Olávia com o neto e, aí, tem a preocupação de lhe dar uma educação à inglesa: ar livre, ginástica, inglês (“mente sã em corpo são”);
- em oposição, a educação de Eusèbiozinho, tradicionalmente portuguesa e “beata”.
Comentário: - a oposição entre os dois tipos de educação revela, mais uma vez, a crítica à tradicionalmente portuguesa.
IV Capítulo
- Carlos vai estudar para Coimbra, forma-se em Medicina;
- torna-se amigo de João da Ega, o "escritor", personagem que representa o Realismo/Naturalismo;
- quando acaba o curso, viaja pela Europa e o avô já o esperava em Lisboa, no Ramalhete;
- o consultório é mobilado luxuosamente;
- Ega prepara o seu grande livro, Memórias de Um Átomo.
Comentário: - termina a analepse que se iniciara no I Capítulo e o tempo cronológico volta a ser 1875.
- alguns pormenores são já significativos em termos de crítica e de caracterização da personagem: o luxo excessivo do consultório de Carlos não se coaduna com o exercício da Medicina;
- Ega começa a escrever o livro de que se falava desde os seus tempos de estudante (será que alguma vez vai terminar essa “Bíblia”?).
V Capítulo
- O Ramalhete e a vida social da família Maia e da alta burguesia de Lisboa: espaço social;
- apresentação de várias personagens “tipo”: o Cruges, pianista falhado; Steinbroken, o embaixador finlandês; a Raquel Cohen, amante do Ega; a Condessa de Gouvarinho que Ega “recomenda” a Carlos.
Comentário: - a crítica social torna-se mais corrosiva, em particular, no que diz respeito ao comportamento das mulheres (o adultério);
- as causas são: a leitura de romances românticos, a ociosidade e consequente tédio.
VI Capítulo
- jantar de homenagem a Cohen (o banqueiro judeu) no Hotel Central;
- Carlos cruza-se com uma bela desconhecida quando entra no Hotel;
- nesse jantar revelam-se outras personagens “tipo”: Alencar, poeta Ultra-Romântico, que tinha sido amigo dos pais de Carlos; o Craft, um inglês que há muito vivia em Portugal; Dâmaso Salcede, o novo-rico;
- o jantar termina com uma briga;
- já em casa, Carlos recorda o passado, como ficara a conhecer a história da mãe e do pai e adormece, evocando a visão da mulher que tanto o tinha impressionado.
Comentário: Este é um dos Capítulos mais importantes, porque nele se cruzam os dois níveis da obra: o da intriga e o da crónica de costumes.
A intriga: - Presságios: Ega, em conversa com Carlos (antes do jantar) diz-lhe que ele há-de vir a “acabar desgraçadamente[…] numa tragédia infernal”( p 152);
- a mulher com quem Carlos se cruza é como uma “deusa” envolta em mistério (p 157);
- no final do Capítulo, o sonho de Carlos, após ter recordado o seu passado familiar, remete para esta mulher, sonho premonitório.
A crónica de costumes: - o comportamento e a linguagem pouco adequados da alta burguesia lisboeta que quer parecer muito civilizada e cosmopolita;
- a oposição entre o Ultra-Romantismo retrógrado(Alencar) e o Realismo/Naturalismo(Ega), ambos exagerados.
- Espaço social: o Hotel Central, onde desfila esta galeria de tipos sociais.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Os Maias: preparação para o teste
No teste de avaliação do final do 2º Período, sairá um excerto do I Capítulo de Os Maias de Eça de Queirós.
Deverão tomar atenção aos seguintes aspectos:
Espaços: Santa Olávia (espaço rural), Lisboa (espaço urbano).
Tempos:
- Presente: Outubro de 1875;
- Passado: analepse (recuo no tempo) à juventude de Afonso da Maia.Casamento com Maria Eduarda Runa, nascimento do filho, o Pedrinho, ida para Inglaterra; regresso a Portugal, morte da mulher e juventude de Pedro até ao seu casamento, contra a vontade do pai, com Maria Monforte.
Temática importante:
- A crítica à educação tradicional/religiosa (beata), que contribui para deformar a personalidade dos indivíduos (ex: Pedro da Maia);
- Os excessos, de todo o género, que esse tipo de educação e uma sociedade romântica fomentam (Pedro da Maia);
- O pragmatismo “inglês” de Afonso da Maia, no que diz respeito à educação e à religião;
oposição Afonso/Pedro: força/fraqueza; - A ascensão social dos novos-ricos: Maria Monforte e o pai, muitas vezes, através de meios pouco sérios (tráfico de negros);
- A caracterização de Pedro da Maia, cuja personalidade se deve aos factores, antes referidos e a que se acrescenta o factor hereditariedade (influência do Naturalismo);
- O aparecimento de presságios, desde o início:
-A família tinha poucos elementos( só avô e neto);
-O Ramalhete sempre tinha sido “fatal” à família Maia;
-Pedro era parecido com um bisavô materno que se tinha suicidado;
-Maria Monforte era de uma beleza clássica, magnífica, comparada à das estátuas gregas;
-A sombrinha escarlate de Maria “derramava” como que uma mancha de sangue sobre Pedro.
Linguagem e recursos estilísticos:
A adjectivação com a intenção de descrever pormenorizadamente (característica do Realismo): [Pedro era] “mudo, murcho, amarelo…”(Capt I, p 20);
A ironia para acentuar a crítica social: [Pedro] “ aos dezanove anos teve o seu bastardozinho.”(Capt I, p 20);
O uso do advérbio de modo com uma função adjectivante: [Afonso] “esteve olhando abstraidamente a quinta…” (Capt I, p 31);
A sinestesia ( sugere sensações várias): “ Os passos do escudeiro não faziam ruído no tapete fofo; o lume estalava alegremente, pondo retoques de oiro nas pratas polidas;” (audição, tacto, audição, visão)-(Capt I, p 31);
A comparação: “…e a sua face [de Maria Monforte], grave e pura como um mármore grego…” (Capt I, p 29);
A metáfora: [Maria Monforte]"... arrastando com um passo de deusa a sua cauda de corte…" (Capt I, p 23).
Nota: A paginação remete para a obra na sua edição de Os Livros do Brasil.
