segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Dia da Restauração


Dia 1 de Dezembro, dia da Restauração:

A Restauração foi a recuperação da independência de Portugal, em 1640, depois de sessenta anos (1580-1640) de domínio castelhano: Filipe II, Filipe III e Filipe IV de Castela.

D. João IV foi o Rei Português a quem coube restaurar essa independência perdida. Mas os portugueses nunca tinham perdido a esperança e refugiavam-se na crença sebastianista, acreditavam que, um dia, D. Sebastião (ou outro- o Encoberto) regressaria para expulsar os castelhanos.

Reparem como o Padre António Vieira, num dos seus Sermões, o Sermão dos Bons Anos, confere a D. João IV uma legitimidade "divina":

«Nem mais nem menos Portugal, depois da morte do seu último rei. Buscava-o por esse Mundo, perguntava por ele, não sabia onde estava, suspirava, gemia, e o rei vivo e verdadeiro deixava-se estar encoberto, e não se manifestava, porque não era ainda chegada a ocasião;(...) então se descobriu o encoberto Senhor.»

O "encoberto Senhor" era D. João IV!!

(Almeida Garrett vai recuperar o mito do Sebastianismo-o Encoberto-no Frei Luís de Sousa).

Fotografia: D. João IV
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sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Almeida Garrett: "personagem" romântica



Pela primeira vez, em Portugal, alguém (Almeida Garrett) tem a coragem de
publicar poemas em que se exalta o Amor-Desejo pela Mulher:


Anjo És

Anjo és tu, que esse poder
Jamais o teve mulher,
Jamais o há-de ter em mim.
Anjo és, que me domina
Teu ser o meu ser sem fim;
(...)


Anjo és. Mas que anjo és tu?
(...)
Teus olhos têm negra a cor,
Cor de noite sem estrela;
A chama é vivaz e é bela,
Mas luz não tem. -Que anjo és tu?
Em nome de quem vieste?
Paz ou guerra me trouxeste
De Jeová ou Belzebu?


Não respondes - e em teus braços
Com frenéticos abraços
Me tens apertado, estreito!...
Isto que me cai no peito
Que foi?... Lágrima? - Escaldou-me...
Queima, abrasa, ulcera... Dou-me,
Dou-me a ti, anjo maldito,
Que este ardor que me devora
É já fogo de precito,
Fogo eterno, que em má hora
Trouxeste de lá... De onde?
Em que mistérios se esconde
Teu fatal, estranho ser!
Anjo és tu ou és mulher?

Almeida Garrett, in Folhas Caídas


quarta-feira, 26 de novembro de 2008

A ideologia romântica



O Romantismo, uma nova visão do Mundo e do Homem:



  • valorização do Eu, do indivíduo e da sua espontaneidade;
  • a Emoção deve sobrepor-se à Razão;
  • insatisfação, a ânsia de Absoluto, a nostalgia por algo de distante, vago e indefinido;
  • consciência dos problemas político-sociais e vontade de neles participar activamente: a defesa dos princípios da Igualdade, Liberdade e Fraternidade;
  • o herói romântico é concebido como um rebelde, incompreendido, (auto)marginalizado, que se insurge contra tudo o que o oprime;
  • os sentimentos privilegiados são: a tristeza, a melancolia, o gosto pelo sofrimento, a busca da solidão, o desejo da morte como libertação;
  • atracção pelo sobrenatural, pelo misterioso;
  • crença em agoiros e superstições, gosto pelas tradições, lendas e mitos;
  • o gosto pela Noite, pelo sombrio, pelo macabro: o locus horrendus;
  • o nacionalismo e o patriotismo;
  • a religiosidade cristã;
  • a evasão (fuga) da realidade:-no espaço: gosto por países distantes, exóticos, misteriosos;-no tempo: valorização do passado, nomeadamente a Idade Média;-através do sonho e da imaginação;
  • simplificação da linguagem e do estilo.

Nota: seleccionei os tópicos que considero mais importantes para ajudar a compreender o Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett.

(Fotografia: paisagem da Suíça.)
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terça-feira, 25 de novembro de 2008

O Romantismo


Para entendermos o Romantismo, é necessário conhecermos os factos político-sociais que influenciaram a mudança de visão e de atitude perante o Homem e o Mundo, ainda no século XVIII, na Europa, no século XIX, em Portugal.
  • a Revolução Industrial, em Inglaterra
  • a Revolução Francesa, em França (1789)
  • a Revolução Liberal, em Portugal (1820): opõe Liberais e Absolutistas, representados, respectivamente, por D. Pedro e D. Miguel. Durante cerca de 30 anos, o país viveu em guerra civil.

Consequências:

  • ascensão da burguesia;
  • democratização da cultura e do livro;
  • defesa dos ideais da Liberdade, Igualdade e Fraternidade;
  • queda dos regimes absolutistas.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Dia da Cultura Científica



Hoje, dia 24 de Novembro, é Dia da Cultura Científica. Não sei qual o critério da escolha deste dia. Mas há um poeta que costuma ser associado a este evento:

António Gedeão, pseudónimo de Rómulo de Carvalho:

Físico, poeta, professor, investigador.....

Os seus poemas reflectem esse encontro caloroso da Ciência e da Poesia:



Poema para Galileo


Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.

Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!
(...)

Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar- que disparate, Galileo!
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação-
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.

Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.
(...)


Ai Galileo!
Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.
Tu é que sabias, Galileo Galilei.
(...)

Por isso estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto inacessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa do quadrado dos tempos.


---António Gedeão
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Trabalhos dos alunos


Decidi publicar os trabalhos dos alunos, na sua totalidade e não excertos como era habitual. Assim sendo, uma vez que eles acrescentaram outros recursos, abri uma espécie de pasta, que é, afinal, um outro blogue, onde vou postando esses trabalhos devidamente identificados. Ficam «ali», arrumadinhos!!

Ver em: Trabalhos dos Alunos.

...

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Ficha de Leitura


Para iniciarmos o estudo do Romantismo e do Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett, é conveniente contextualizarmos este movimento literário e conhecermos os seus ideais. As respostas a esta ficha formativa encontram-nas nos textos teóricos do Manual. Posteriormente, colocarei no blogue alguns tópicos sobre o Romantismo.


Romantismo

1.
Que acontecimentos político-sociais estiveram na génese do Romantismo, em Inglaterra e em
França?

Que ideais se defendem, a partir do final do século XVIII/princípio do século XIX?


Como chegaram eles a Portugal?


Quem foram os protagonistas desse movimento?


Que acontecimentos políticos marcam a 1ª metade do século XIX, em Portugal?


Quem é o introdutor do Romantismo, em Portugal?


Destaque alguns episódios da sua vida pessoal que permitem que Garrett possa ser caracterizado como uma “personagem” romântica.


2. Qual a perspectiva romântica sobre:


  • o indivíduo e a sociedade;
  • a nação/pátria;
  • a História e o passado;
  • os mitos: o Sebastianismo;
  • a evasão: espaço/tempo/ imaginação (sonho);
  • o locus horrendus;
  • o amor e a mulher;
  • os estados de espírito.