domingo, 26 de abril de 2009

Fomos ao teatro...



...no último dia de representação de Os Maias, no Teatro da Trindade.


(O meu agradecimento ao professor Joaquim Melro, que nos acompanhou.)




quinta-feira, 23 de abril de 2009

No Dia Mundial do Livro...


....o contributo de duas das minhas alunas.

Estes textos encontram-se também publicados em
Arteziletras e expostos no Centro de Recursos.

O Livro

"Era uma vez...": também assim começou este livro. As personagens são poucas, no entanto as descrições preenchem linhas: "E naquela casa de férias tudo libertava um aroma doce: as janelas abertas deixavam entrar o sol doirado, o sussurro das plantas deixava adivinhar a brisa fresca presente no prado e o tom meigo com que eram ditas todas as palavras enaltecia o espírito."

Várias foram as vezes em que repeti a leitura de frases só para as poder absorver em mim e saboreá-las com o mesmo prazer com que foram escritas. Não tive em momento algum pressa para terminar a leitura e todas as páginas foram minutos de sabedoria que me acolheram dias e noites. Hoje terminou a leitura, estranhamente mas terminou. Consigo ver que páginas foram arrancadas e não sei ao certo porquê nem por quem. Reconheço apenas a última frase presente: "O relógio do tempo parou por longos instantes e nem o teu brilho conseguiu curar a minha cegueira."

Da Maria João J., 11º E



Cartas sobre livros

Olho-te cá de baixo, tentando alcançar-te com o olhar. Inspiro-me numa bailarina em pontas, para chegar a ti e, num movimento preso, estico o braço e levanto-o, procuro agarrar-te enquanto passo as mãos pela prateleira, pois reconheço-te pelo toque. Sinto as tuas marcas de nascença que, no fundo, dizem, numa imagem, aquilo que tu és, lembra-te que não te deves envergonhar disso, não deixes que os outros as escondam.

Tenho-te agora nas minhas mãos, enquanto leio os pensamentos de outros que sigo com o dedo, fazendo-me perder. O teu cheiro espalha-se enquanto te folheio, e faço passar as páginas rapidamente, entranha-se na roupa, e leva-me para esse mundo estranho. Terras que apenas vi em ti, pessoas que não hei-de conhecer de outra forma, que, de alguma maneira, tu mostras e fazes-me ter a certeza daquilo que quero. Ainda que seja apenas uma visão, um monólogo, e eu não me tenha levantado do sofá da sala.

Da Catarina , 11ºB


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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Recomeçando: Os Maias, Capítulos II a V






II Capítulo

  • casamento de Pedro e Maria Monforte (“felicidade de novela”);

  • os dois filhos, Maria Eduarda e Carlos Eduardo;

  • fuga de Maria com o príncipe italiano, levando consigo a filha;

  • Pedro fica com o filho, regressa a casa do pai e suicida-se.

Comentário:

  • a crítica ao comportamento das mulheres: Maria foge, devido à leitura de romances românticos, que deturpavam a visão que as mulheres tinham da realidade;

  • até o nome do filho, Carlos Eduardo, tinha sido escolhido por ser o de um herói de um romance, com uma vida de "aventuras e desgraças" (presságio);

  • Pedro suicida-se, como era de esperar, devido ao seu temperamento neurótico (hereditariedade) e educação tradicional, “beata”.
III Capítulo

  • Afonso retira-se para Santa Olávia com o neto e, aí, tem a preocupação de lhe dar uma educação à inglesa: ar livre, ginástica, inglês (“mente sã em corpo são”);

  • em oposição, a educação de Eusèbiozinho, tradicionalmente portuguesa e “beata”.
Comentário:

  • a oposição entre os dois tipos de educação revela, mais uma vez, a crítica à educação tradicionalmente portuguesa.

IV Capítulo

  • Carlos vai estudar para Coimbra, forma-se em Medicina;

  • torna-se amigo de João da Ega, o "escritor", personagem que representa o Realismo/Naturalismo;

  • quando acaba o curso, viaja pela Europa e o avô já o esperava em Lisboa, no Ramalhete;
    o consultório é mobilado luxuosamente;

  • Ega prepara o seu grande livro, Memórias de Um Átomo.
Comentário:

  • termina a analepse que se iniciara no I Capítulo e o tempo cronológico volta a ser 1875.

  • alguns pormenores são já significativos em termos de crítica e de caracterização da personagem: o luxo excessivo do consultório de Carlos não se coaduna com o exercício da Medicina;

  • Ega começa a escrever o livro de que se falava desde os seus tempos de estudante (será que alguma vez vai terminar essa “Bíblia”?).
V Capítulo

  • O Ramalhete e a vida social da família Maia e da alta burguesia de Lisboa: espaço social;

  • apresentação de várias personagens “tipo”: o Cruges, pianista falhado; Steinbroken, o embaixador finlandês; a Raquel Cohen, amante do Ega; a Condessa de Gouvarinho que Ega “recomenda” a Carlos.
Comentário:

  • a crítica social torna-se mais corrosiva, em particular, no que diz respeito ao comportamento das mulheres (o adultério);

  • as causas são: a leitura de romances românticos, a ociosidade e consequente tédio.


Imagem retirada do blogue: http://themaias.wordpress.com/category/figurino/page/2/,
por indicação do aluno João Vale.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Quase de Férias...







A todos, votos de umas boas Férias, merecidas!


O "postal ilustrado" é o Teatro da Trindade, onde iremos, dia 26 de Abril, assistir à representação de Os Maias.

Observem bem para depois "anotarem" as diferenças!











Teatro da Trindade, 1867 ( da web)
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domingo, 22 de março de 2009

Esboços


(...)

E à tardinha tu não vieste e a Primavera não veio
Porque para ser Primavera seria preciso que tu tivesses chegado
E a minha Primavera não chegou
Só porque tu não vieste

Por onde andas
Que caminhos percorres que não os meus
E as flores que são da Primavera não vieram nos teus braços
E tu não me trouxeste ramos de flores
Porque elas floriram e murcharam
Antes de tu as colheres


Eis o meu ramo de flores!

Loucas as flores que não me deste


(«Floriram por engano as rosas bravas….»)



Monet, " Flores de Primavera"
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Imagem da web
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domingo, 15 de março de 2009

Prenúncio de Primavera...


...com um poema de Alberto Caeiro e o "Hino à Alegria" da Nona Sinfonia de Beethoven:




Vai alta no céu a lua da Primavera
Penso em ti e dentro de mim estou completo.

Corre pelos vagos campos até mim uma brisa ligeira.
Penso em ti, murmuro o teu nome; e não sou eu: sou feliz.

Amanhã virás, andarás comigo a colher flores pelo campo,
E eu andarei contigo pelos campos ver-te colher flores.
Eu já te vejo amanhã a colher flores comigo pelos campos,
Pois quando vieres amanhã e andares comigo no campo a colher flores,
Isso será uma alegria e uma verdade para mim.

Alberto Caeiro (heterónimo de Fernando Pessoa).
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segunda-feira, 9 de março de 2009

Os Maias: I Capítulo

No final deste 2º Período, faremos um teste com um excerto do I Capítulo de Os Maias, cujos tópicos mais importantes organizei no ano anterior e que volto a publicar, porque se mantêm actuais.

Espaços: Santa Olávia (espaço rural), Lisboa (espaço urbano).

Tempos:

- Presente: Outubro de 1875;

- Passado: analepse (recuo no tempo) à juventude de Afonso da Maia. Casamento com Maria Eduarda Runa, nascimento do filho, o Pedrinho, ida para Inglaterra; regresso a Portugal, morte da mulher e juventude de Pedro até ao seu casamento, contra a vontade do pai, com Maria Monforte.

Temática importante:

  • A crítica à educação tradicional/religiosa ("beata"), que contribui para deformar a personalidade dos indivíduos (ex: Pedro da Maia);
  • Os excessos, de todo o género, que esse tipo de educação e uma sociedade romântica fomentam (Pedro da Maia);
  • O pragmatismo “inglês” de Afonso da Maia, no que diz respeito à educação e à religião; oposição Afonso/Pedro: força/fraqueza;
  • A ascensão social dos novos-ricos: Maria Monforte e o pai, muitas vezes, através de meios pouco sérios (tráfico de negros);
  • A caracterização de Pedro da Maia, cuja personalidade se deve aos factores, antes referidos e a que se acrescenta o factor hereditariedade (influência do Naturalismo);
  • O aparecimento de presságios, desde o início:

-A família tinha poucos elementos( só avô e neto);

-O Ramalhete sempre tinha sido “fatal” à família Maia;

-Pedro era parecido com um bisavô materno que se tinha suicidado;

-Maria Monforte era de uma beleza clássica, magnífica, comparada à das estátuas gregas;

-A sombrinha escarlate de Maria “derramava” como que uma mancha de sangue sobre Pedro.

Linguagem e recursos estilísticos:

  • A adjectivação com a intenção de descrever pormenorizadamente (característica do Realismo): [Pedro era] “mudo, murcho, amarelo…”(Capt I, p 20);
  • A ironia para acentuar a crítica social, nomeadamente, o uso dos diminutivos: [Pedro] “ aos dezanove anos teve o seu bastardozinho.”(Capt I, p 20);
  • O advérbio de modo com uma função adjectivante: [Afonso] “esteve olhando abstraidamente a quinta…” (Capt I, p 31);
  • A sinestesia ( sugere sensações várias): “ Os passos do escudeiro não faziam ruído no tapete fofo; o lume estalava alegremente, pondo retoques de oiro nas pratas polidas;” (audição, tacto, audição, visão)-(Capt I, p 31);
  • A comparação: “…e a sua face [de Maria Monforte], grave e pura como um mármore grego…” (Capt I, p 29);
  • A metáfora: [Maria Monforte]"... arrastando com um passo de deusa a sua cauda de corte…" (Capt I, p 23).

Nota: A paginação remete para a obra na sua edição de Os Livros do Brasil.